
EDITORIAL
E eis-nos chegados à edição n.º 400, o que significa 400 meses de informação aos residentes na freguesia das Cortes, e a todos os seus familiares na diáspora, desde o mês de Dezembro de 1987. As circunstâncias em que o jornal tem sido feito desde há um ano (Março de 2020), com o início da pandemia, exigiu dos seus responsáveis um esforço acrescido e também muita criatividade para manter a publicação sem interrupções, sabendo que, com os sucessivos confinamentos, as actividades associativas e religiosas foram pura e simplesmente suspensas e encerrada uma boa parte dos estabelecimentos comerciais.
O fluxo informativo reduziu-se drasticamente, e as pessoas, circunscritas ao espaço doméstico, passaram a ter televisão e rádio por companhia quase permanente, ficando ao corrente do que se passa a nível nacional e internacional, mas desconhecendo grandemente o que se passa a nível regional e local, por aqueles meios de comunicação ignorarem em permanência tudo o que vá para além das grandes cidades, em particular da capital. Salvam-nos algumas rádios locais, já residuais, e alguns semanários regionais. Mas, sobretudo, os jornais locais e as suas ramificações digitais. É claro que as redes sociais desempenharam também um papel significativo, mas é questionável se elas representam uma fonte informativa fidedigna.
O Jornal das Cortes cumpriu! Sem esmorecer, sem titubear, sem temer, no momento exacto e no local adequado, esteve para ouvir, para sondar, para registar, para fotografar e, depois, ser eco dos acontecimentos e das considerações para informar e esclarecer os seus leitores.
A presente edição é disso prova cabal com uma entrevista de fundo a um conterrâneo agente de saúde que tem estado, desde o início, na frente de ataque à pandemia e que nos deixa um retrato vivo do esforço desenvolvido para poupar vidas e do empenho que ele e os seus companheiros põem nessa missão. Com o mesmo espírito, ouviram-se alguns empresários da restauração e similares que disseram da enorme dificuldade que tem sido ter as portas fechadas e do que isso representa em termos de futuro. Tomou-se o pulso às pessoas mais idosas, isoladas do mundo e, às vezes da família, a braços com a solidão, com todas as consequências, ainda não mensuradas, na sua saúde física e mental. E aproveitou-se a onda para fazer o ponto da situação dos efeitos da pandemia na nossa freguesia.
Há, naturalmente, a vida quotidiana, com restrições, é certo, mas isso não impede que se vá à farmácia, à mercearia ou ao supermercado ou que tenha de se ir diariamente para o trabalho, que nem toda a gente pode ficar em casa. E até há quem ande na rua sem que isso seja estritamente necessário, e, por isso, o acesso à nascente do rio, nas Fontes, foi vedado. E reportou-se mesmo a presença de GNR numa operação de controlo da circulação automóvel. O que não impediu que os larápios atacassem na região e “limpassem” várias viaturas ou que algumas pessoas menos conscientes largassem, de forma arbitrária, lixo e monos aí por todos os lados.
Mas também há boas iniciativas, como agora indagar quem possa estar interessado em integrar uma futura rede de gás ao domicílio, o que representariaum melhoramento significativo para a população.
E igualmente boas novas, que a excelente equipa da Assiste continua no terreno e o pessoal dedicado na Junta ou no Posto Médico e que a saúde continua, felizmente, a assistir à maioria da população. A Casa-Museu João Soares mantém a aposta na cultura e, agora, até a novel Associação Serra, da Reixida, passa a mostrar-nos um artista por mês. Apesar de tudo, continuam a editar-se livros, poucos, mas livros. E a novidade é mesmo uma novíssima revista de poesia que nasce este mês do seio dos Serões Literários das Cortes para enriquecer a Ronda Poética de Leiria. Não é excelente? Não é óptimo? – É, pelo menos, muito bom. Por que excelente e óptimo é termos chegado aos 400!
