«… a nossa grande ambição para os próximos anos: criar condições para o surgimento do turismo de aldeia associado às Cortes»

A encerrar 2020, o Jornal das Cortes entrevistou o Presidente da Câmara Municipal de Leiria,
Gonçalo Lopes, na sala de leitura do Centro Popular de Cultura e Recreio das Cortes.

A JDC – A freguesia das Cortes está cada vez mais atrativa. Há planos para incluir as Cortes nos roteiros turísticos da região?
(…) A freguesia das Cortes é uma pérola por descobrir no que diz respeito à lógica do turismo de aldeia. Porque tem condições de estar próximo da cidade com tudo o que é o requinte de uma aldeia com história e com património. E isso é algo que simboliza uma grande oportunidade na retoma económica que vai acontecer a seguir a este período de pandemia. Para isso é necessário criar um conjunto de intervenções, quer públicas, quer privadas, para tornarem este grande objetivo alcançável. É necessário melhorar as infraestruturas públicas, coisa que tem sido feita nos últimos anos, mas também criar condições e incentivos para a reabilitação urbanística de todo este casco histórico da aldeia. Temos casas senhoriais, casas com história, casas com história por contar, e que precisam de ter estímulos para a sua reabilitação. Quando tivermos este casario todo recuperado vamos ter mais pessoas a habitar e mais pessoas a visitar-nos. E aí será o momento em que a aldeia das Cortes passa a ser uma referência também na área do turismo. Esta é, no fundo, a nossa grande ambição para os próximos anos: criar condições para o surgimento do turismo de aldeia associado às Cortes. Porque tem todas as condições, tem todos os ingredientes, para que seja um sucesso. (…) Há condições, no meu entender, muito favoráveis, para que no futuro se possa construir um plano de desenvolvimento turístico e habitacional das Cortes (…).
A verdade é que, nos últimos dez anos, já se fizeram coisas que se pensa que nunca se iriam fazer. O pavilhão, o centro de saúde, o arranjo desta praça, são obras que as pessoas já pensavam que não iriam ser feitas.

A JDC – E porque é que em tão pouco tempo existiu tanto investimento nas Cortes?
(…) O que aconteceu aqui é que havia muitos projetos, há muito tempo, definidos e comprometidos… e que não evoluíam. Nada destes projetos, destas ambições, são novas. O que há é vontade de fazer, a determinação de fazer, onde conta não só o contributo da Câmara mas também a União de Freguesias, que colocaram o seu empenho e dinamismo para que elas se concretizassem. E não é só nesta freguesia que estão a ser feitas obras, noutras também, o que resulta numa aposta num desenvolvimento integrado por todas as localidades do concelho.
Isto tem muito a ver, nos últimos vinte anos, sobretudo, pelo forte investimento que houve na construção do estádio. Estamos a falar de um investimento de cem milhões de euros que retirou cem milhões de euros a Leiria. E com cem milhões de euros dá para fazer muita coisa, dá para fazer muitos pavilhões desportivos, muitas escolas, muitas estradas, muitas ciclovias. Portanto, houve cem milhões de euros de atraso. Hoje, depois de termos o estádio praticamente todo pago, todas as nossas receitas, que resultam sobretudo das transferências do estado mas também dos impostos que arrecadamos, são para estar ao serviço das pessoas neste tipo de obras. Portanto, temos um grande sentido de redistribuição do dinheiro público, com obras que fazem e preparam o desenvolvimento dos territórios reprodutivos. […]


A JDC – Sobre o projeto para a antiga adega cooperativa: há previsões de quando vai começar a mexer?
Estamos numa fase embrionária, é necessário primeiro fazer o estudo prévio, definir as valências que o espaço vai ter, enquadrá-lo na tal área de reabilitação urbana, tentar encontrar também financiamento comunitário para a obra e, depois, concretizar o investimento. […]

A JDC – Além desse, ainda existem outros planos prometidos, como o passeio até Leiria ou a extensão do Polis até às Fontes…
A estrada nacional que liga Leiria às Cortes está a ser objeto de projeto. Vai contemplar passeio, onde também podem circular bicicletas, em modo partilhado. O que vai fazer com que a cidade e a aldeia se tornem muito próximas. […]

A JDC – Apesar disso, muitos jovens saem [da freguesia cortesense] para zonas habitacionais, como Pousos ou Telheiro, por não terem casa aqui… Há solução?
Há muita casa nas Cortes para recuperar. O património existe, mas tem de ser reabilitado. Tem que estar ao serviço de quem o quer usufruir. […]

A JDC – Poderá haver incentivos, como isenções fiscais, para isso?
Haverá sempre possibilidades de enquadrar apoios na lógica da habitação urbana, se houver enquadramento em áreas específicas como é aquela que se quer desenvolver para o centro das Cortes. E há também capacidade de apoio de fundos comunitários para alojamento na área do turismo. Portanto, o que é necessário é existir empreendedores e apostas claras no que é a reabilitação imobiliária de todo este património […]

A JDC – Os investimentos vão continuar?
Acho que a freguesia tem hoje evidências daquilo que é o seu potencial… E agora notou-se um avanço. Se o ritmo vai ser sempre este no futuro? Vai depender muito das lógicas e das dinâmicas económicas que a própria freguesia e que as pessoas da freguesia irão envolver. […]

A JDC – Depois de um ano de pandemia, há muita espectativa sobre 2021?
Em 2021 haverá uma nova retoma, não há dúvida. As pessoas têm tido um comportamento exemplar no que diz respeito ao controlo da pandemia, no nosso concelho. Foi um ano 2020 com enormes desafios. O concelho de Leiria acaba por ser um dos maiores de Portugal; são cerca de vinte concelhos com mais de cem mil habitantes. E, dentro destes vinte, Leiria foi aquela que teve sempre melhor desempenho em termos de combate ao vírus. Quer seja na questão da prevenção, na distribuição de máscaras, na ligação com os cuidados de saúde, as próprias empresas que adaptaram o seu sistema à produção de equipamento de proteção individual… Portanto houve de facto aqui um ambiente excecional que só é possível com uma grande capacidade de união e interajuda entre as diversas instituições.
(…) Mas agora existe uma forte expectativa relativamente ao ano 2021. […]

A JDC – Mais próximos de Leiria, Capital da Cultura?
Sim. Nós fomos dos poucos concelhos do país onde a cultura não parou. Muitas das cidades que se dizem muito culturais aproveitaram esta fase para dar uma machadada nos agentes culturais. E nós não parámos. Incentivámos a cultura através dos meios digitais, mantivémos os nossos espaços culturais em funcionamento e com segurança, criámos condições para que os artistas pudessem continuar a fazer a sua atividade, com as limitações necessárias, mas não parámos. Porque parar era matar. (…)

A JDC – Os projetos para Leiria, Capital da Cultura, prevêem-se apenas para Leiria, enquanto cidade?
O projeto Leiria Capital da Cultura para 2027 é muito mais do que a cidade e é muito maior que o concelho. Porque hoje reúne, em torno da candidatura, 26 municípios, cerca de 750 mil habitantes. Que inclui toda a região de Leiria, a região do Oeste e alguns concelhos do Médio Tejo. Porquê? Porque quisemos ver a cultura numa lógica territorial abrangente. E, naturalmente, o nosso tipo de cultura, a nossa imagem de marca, é efectivamente a diversidade e aquilo que temos para oferecer em todas as diversas dimensões quer contemporâneas, quer tradicionais, quer alternativas, que existam no nosso concelho.
E as Cortes também aqui é um bom exemplo porque tem desde o projeto da Filarmónica, que é um projeto centenário, até ao projeto Serra, na Reixida, onde tem a vertente mais moderna, contemporânea e criativa que existe no nosso concelho. (…)

A JDC – 2021 também vai ser ano de eleições. Gonçalo Lopes vai ser candidato à CML?
Ainda é cedo para responder.

A JDC – Nesta altura de reflexão, como vê as críticas que tem recebido e que balanço faz?
Estou de consciência tranquila, muito confiante. As pessoas sabem o que tenho feito e sabem que durante dez anos não fui só um vereador. Fui uma pessoa extremamente empenhada e envolvida nas causas de Leiria. E por isso sinto que a maioria das pessoas olham para o atual presidente de Câmara com um ar de confiança e sinto esse apoio das pessoas. Se não o sentisse também não teria aceitado continuar este projeto até às eleições. (…) E eu só tenho a agradecer a oportunidade que me dão de estar a fazer aquilo que gosto. Não faço o trabalho que faço por uma questão pessoal ou individual, faço sempre numa lógica coletiva. (…)
Relativamente às críticas, respeito-as, desde que não ultrapassem os limites da política, desde que não entrem em questões de caracter pessoal…
Sobre a avaliação pessoal do meu trabalho… Quem sou eu para falar do meu trabalho? Na altura certa, as pessoas terão oportunidade de dizer o que acharam do trabalho desenvolvido nos últimos anos.


Leia a entrevista completa na edição em papel n.º 398 do Jornal das Cortes, de 5 Dezembro de Dezembro de 2020.