Neste ano de 2020 fomos, todos nós, surpreendidos por algo que não vemos e que principalmente é difícil de controlar – o coronavírus. Atualmente declarado como pandemia, são simples as medidas para a controlar, e ainda assim tão difíceis de cumprir. Afeta-nos ao nível psicológico, social, físico e até mesmo cultural. Todos sem exceção estamos a passar por um processo adaptativo, cada um de forma diferente, mas do qual não podemos escapar. Esperemos que tudo isto acabe o mais rápido possível para voltarmos às nossas rotinas, ao nosso dia-a-dia.
Sou enfermeira, a trabalhar num hospital, num serviço de Ortopedia e Neurocirurgia.
Atualmente não estamos a receber utentes infetados, pois há um serviço próprio para tal. Isto não implica que não estejamos a receber utentes que têm problemas de saúde e que tenham de ser tratados e cuidados, pois estamos. Infelizmente esses problemas não param.
«Não é fácil, e não foi isso que pedi quando aceitei e jurei cuidar de alguém»
Ao ter sido decretado como pandemia, houve um sentimento geral – medo – e que foi enaltecido sempre que se ligava a televisão para ver o panorama do país. Posso dizer que inicialmente a cada dia que trabalhava, sentia mais medo. Houve necessidade do uso de equipamento de proteção individual no dia-a-dia de trabalho de forma crescente, e houve necessidade de reestruturação dos serviços.
enfermeira no Hospital de Faro
Em pouco mais de uma semana, o serviço que eu conhecia já não era bem o mesmo, e continuou a mudar. Muitas regras novas para nos protegermos todos ao máximo, no entanto não é fácil ver os números a aumentar de dia para dia. O medo de trabalhar é grande, mas o sentimento de dever é maior.
Tenho dias em que é difícil de estar, ver, fazer. E dá um aperto no coração não poder estar pertos dos amigos, dos pais, dos avós. No entanto o dever é este.
Artigo completo na edição de Maio de 2020 do Jornal das Cortes, n.º 390