O Tomás está sentado em frente à televisão e com os livros pousados em cima da mesa. A manhã está quase no fim mas ainda assiste a uma das primeiras aulas da #Escolaemcasa. Visivelmente aborrecido, explica que tem nove anos, está na turma do quarto ano da escola da Reixida e sente que não está a aprender nada. “As únicas disciplinas que gosto agora é português e estudo do meio porque tem algumas coisas que ainda não aprendi, o resto é revisão”, riposta.
Já a irmã, dois anos mais nova, parece estar nas suas sete quintas. Matilde está no segundo ano de escolaridade e adora ter a companhia da família e assistir às aulas virtuais onde pode ver os amigos e a professora. Com um dia bastante preenchido, conta que tem uma aula na televisão logo de manhã, depois uma aula com a professora e os amigos, uma pausa para almoço e uma tarde inteira dedicada a trabalhos. De sorriso rasgado, orgulha-se de já ter aprendido “algumas tabuadas” mas confessa que “ainda não estão na ponta da língua”. Com o seu próprio e-mail institucional, precisa constantemente da ajuda dos pais para aceder às plataformas, abrir ficheiros, enviar os trabalhos e às vezes até para compreender melhor as matérias que são dadas.
Mas ninguém sabe ainda muito bem quando é que isso vai ser possível. Até lá os pais desesperam.
Uma reportagem com alunos das escolas da freguesia e do ensino superior, professores e pais em contexto de pandemia. Os desafios, as dificuldades e as dúvidas destes tempos e dos próximos.
Conteúdo exclusivo da edição de Maio do Jornal das Cortes.
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