Estamos quase mais perto

Patrícia Gonçalves

Hoje vou falar de perto. Não espelho aqui opiniões editoriais nem trago aplausos à terra ou agradecimentos aos nossos… Trago-vos aquilo que me tem acompanhado nas últimas largas semanas. Não será o texto de todos e para todos. Não é a jornalista e tão pouco a diretora deste projeto. Sou eu, a menina que nasceu e cresceu na terra, convosco, a falar-vos de perto. Sobre o que me preenche agora. Passa da meia-noite e, pela primeira vez, estou a escrever-vos um dia antes da entrega do jornal. Talvez porque precise. Foi um dia cheio. Bem longo. O país parece estar do avesso. Está tudo fechado. Muitos lutam por todos na linha da frente. As pessoas estão ansiosas à espera de respostas. Há muito medo nos olhos que se encostam às máscaras ou se escondem atrás das viseiras. O dia foi de notícias tristes para a freguesia. E, no entanto, neste mês da liberdade e fechada em casa… transbordo de gratidão.

A vida tem formas muito próprias, às vezes até engraçadas, de nos mostrar o que é importante. O que importa. Quando menos esperamos e nos contextos menos próprios. Estamos todos afastados e fechados em casa, mas nunca nos quisemos tanto como agora. Temos saudades dos brindes, dos encontros, dos beijos, dos abraços, dos sorrisos e até da liberdade. Temos saudades das coisas mais simples e que sempre tivemos. Ajudamos os nossos e os que estão próximos, ligamos, preocupamo-nos, aproximamo-nos. E isso supera todas as viagens canceladas, as férias estragadas, os negócios desejados ou os planos de expansão.

Esta pandemia não é o planeta a revoltar-se, não era o bem necessário e querido para reorganizar a vida nem tão pouco um castigo de Deus por tudo o que nós, comuns mortais, temos feito. Não é uma coisa boa: já morreram milhões de pessoas e ninguém sabe como isto vai acabar entre os que perdem a vida e os que perdem tudo na vida. É mau, é triste, é revoltante. Não é a primeira na história da humanidade, até agora não é a mais catastrófica e muito provavelmente não será a última. Mas é aquela que, até agora, nos dá mais oportunidades.

Temos o que não existia noutros tempos: a ciência que procura proteger-nos, a tecnologia que nos aproxima e a informação que nos dá a conhecer o mundo. Temos a possibilidade de saber o que está a acontecer, quais as melhores medidas a tomar e as consequências das acções irresponsáveis. A nível global. Aqui, já ninguém morre sem saber porquê. Já não há milhões de pessoas a morrer por uma peste que ninguém conhece ou entende. Agora, como nunca, temos toda a informação e possibilidade de nos conseguirmos proteger. De agir em conformidade com o que se espera de nós. De fazer a nossa parte.

Com o levantar de algumas restrições e o cansaço do confinamento, peço-vos: continuem a ter cuidado. Estamos quase mais perto, mas ainda não estamos seguros. Sabemos todos o que fazer e de imunes temos pouco. Nem nós, nem os nossos pais ou avós. Por isso, peço-vos… Sem egoísmos, sem exageros, sem erros: usem a liberdade individual, mas cuidem da liberdade e do bem-estar de todos. Que em breve seja possível sorrir, abraçar e beijar, sempre!

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