A carta aberta do “nosso enfermeiro”

«Gostaria de vos dizer que cuidar de doentes com COVID-19 é uma tarefa difícil, tanto pelas complicações clínicas como pelo uso (necessário, mas claustrofóbico) do equipamento de proteção individual; pelas 4 a 6 horas seguidas, em muitos turnos de 8 horas, com privação das necessidades humanas fundamentais (alimentação, hidratação e eliminação)»


Olá a todos,

Espero e desejo que se encontrem bem e de saúde. Gostaria de sensibilizar a população da Cortes para a importância de seguir as recomendações da Direção Geral de Saúde, pois este novo vírus é facilmente transmissível e de momento ainda não existe vacina. Poderemos sofrer muito se não atuarmos em conformidade HOJE e AGORA.

Acreditem que as instituições de saúde e os profissionais de saúde, neste momento, estão a adaptar-se às necessidades da população leiriense. Pede-se aos cidadãos o cumprimento das orientações e recomendações. Avizinham-se momentos e tempos difíceis. Acreditem que os comportamentos que adotarmos neste momento terão repercussões a curto prazo. Mantenham o isolamento, evitem o contato direto com as pessoas e não se dirijam aos centros de saúde e hospitais sem ligarem inicialmente para a linha de apoio SNS24 – 808 242424.

Gostaria de vos dizer que cuidar de doentes com CO-VID-19 é uma tarefa difícil, tanto pelas complicações clínicas como pelo uso (necessário, mas claustrofóbico) do equipamento de proteção individual; pelas 4 a 6 horas seguidas, em muitos turnos de 8 horas, com privação das necessidades humanas fundamentais (alimentação, hidratação e eliminação).

Peço-vos, como pessoa, conterrâneo, profissional de saúde, cidadão de Leiria, de Portugal, do Mundo: evitem de momento os contactos sociais e sigam as recomendações da Direção Geral de Saúde! Foquem a vossa atenção no povo cortesense e de Portugal, tendo como exemplos catastróficos os vários países do mundo (principal-mente em Espanha e Itália). É possível prevenir tamanhas calamidades, tomemos as medidas e atuemos a partir de HOJE e AGORA.

A realidade é que se não forem tomadas medidas preventivas a situação torna-se catastrófica. É inevitável o aparecimento da doença e da morte causada por este vírus. Usemos o medo e a ansiedade como sentimentos normais que nos ajudam a ultrapassar as dificuldades diárias, para desenvolver resiliência e altruísmo pelas pessoas que fazem parte da nossa família, dos que vivem ao nosso lado, dos que conhecemos e dos que não conhecemos.

Vamos confiar em nós, vamos confiar nos outros, vamos confiar nas entidades que nos governam. Vamos confiar nas instituições de saúde e nos profissionais de saúde. Vamos apoiar quem precisa. Vamos agradecer a possibilidade de estarmos a tempo de mudar, de evitar o pior, de ultrapassar este flagelo com os pés bem as-sentes em terra, com o apoio de todos os que nos rodeiam. Estamos todos no mesmo “barco”.

Ajudem-nos a cuidar de nós, descansando, tendo uma alimentação e hidratação adequada, fazendo exercício, mantendo contacto com os familiares/amigos pelas vias digitais, realizando atividades prazerosas. Ter cuidado connosco para cuidar dos outros. Lembrarmo-nos que não estamos sozinhos. Pode-mos ajudar, ajudando os outros. Sermos bondosos, generosos, altruístas e pessoas com paixão pela nossa terra e compaixão pelas pessoas que lhe fazem parte.

Quem nunca esteve doente pode ficar agora. Quem esteve na “guerra” pode ficar doente. As crianças transmitem a doença e raramente ficam doentes. A população jovem/adulta poderá apresentar sintomas “leves”, mas transmitem a doença. A população idosa precisa de proteção neste momento, são um grupo vulnerável!

Deixo-vos um texto da Direção Geral da Saúde: “Há que proteger quem sempre nos protegeu e quem está menos protegido; os nossos pais, os nossos avós, quem tem as defesas em baixo. E o que é proteger numa situação como a que vivemos? É acompanhar, socorrer, cuidar, é resguardar. Faça-lhes as compras, ajude nas necessidades básicas e de afeto, proteja-se a si e aos outros. Vamos recuperar e assegurar o futuro de cada um, o nosso futuro e o futuro de Portugal”

Seja um agente de saúde pública. Proteja-se a si e aos outros. Vai ficar tudo bem. Fiquem nesta altura em casa. Teremos benefícios se o fizermos HOJE e AGORA.

Um abraço a todos, dos virtuais.

André Alves

Enfermeiro cortesense

2 thoughts on “A carta aberta do “nosso enfermeiro”

  1. Obrigada André fico muito grata por esta sensibilização e protecção as pessoas mais vulneráveis tenho 84 anos ,pessoa no grupo de risco ,farei tudo o possível para não ser contaminada, e não contaminar os outros ,obrigada por teres escrito esse maravilhoso texto

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  2. Obrigado André ! Gostei de ler , o teu texto e saber que te preocupas com os teus conterrâneos como bom profissional de saúde. Mas ninguém convence certos humanos que pensam, isso não é comigo ! Eu não posso pensar assim ,com o meu problema sou de risco e não posso ser contagiada! Mas também não gostaria de ser causa de contagio. Obrigado força e coragem.

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