Sexta-feira, 13 de Março de 2020, acordei de manhã, já com algumas dúvidas de qual o meu destino depois do trabalho. Vivo no Porto, a primeira cidade em Portugal com casos do novo vírus Covid-19. Levanto-me, tomo banho, faço a mala como todas as semanas, para ir passar o fim de semana a casa e voltar domingo, uma rotina semanal que já tem sido hábito há 8 anos, desde que saí da pacata cidade de Leiria e decidi ir estudar para Lisboa.
Mas esta semana seria diferente.
A meio da tarde sou chamada pela minha chefe: o plano de contingência da empresa, por forma a mitigar os impactos do Covid-19 irá entrar em vigor a partir da segunda-feira seguinte, irei ficar em trabalho remoto até informações do contrário – quem me conhece sabe que isso é o pior que me poderia acontecer, ainda tento refutar – “Eu não me importo de ficar doente, mas por favor não me faças ficar em casa”, digo com alguma revolta, apesar da compreensão. A resposta é simples e direta – “Já chega quem tem de vir, não quero que fiques em risco”. No meio de tudo isto a dúvida persiste: Ir a casa, desta vez, por tempo indeterminado ou não? O cérebro não para, pensa nas avós de idade avançada, nos pais e na irmã, nos idosos da terra que sempre me trataram como uma neta, que sempre se preocuparam comigo e que me enchem de elogios todas as semanas.
A decisão vai-se tornando cada vez mais clara na minha cabeça, até que fica tomada: Vou ficar no Porto por tempo indeterminado. Porquê? Não é por medo de ficar doente, tenho a noção que tendo alguns cuidados para não ficar doente, sou saudável, faço exercício físico regular, não tenho problemas respiratórios, o Covid-19 não teria grande impacto. Está na hora de tomar decisões a pensar nos outros, em quem nos rodeia, deixarmos o conforto das rotinas de lado e ficar em casa. Não sejamos egoístas: esta é hora de prevenir e não de remediar.
Os sintomas podem durar até 15 dias para se manifestarem, o vírus aguenta em superfícies cerca de 9h, sem contacto humano, muitos de nós podem curar-se em casa sem qualquer medicação especial, mas os outros, todos aqueles com quem estamos em contacto, que poderão estar em contacto com idosos ou com grupos de risco, doentes de cancro, pessoas com doenças respiratórias, esses poderão morrer e a culpa será de todos os que forem egoístas de mais para se afastarem, porque não é uma decisão confortável ou porque não acreditamos em tudo o que nos entra em casa todos os dias pelos canais noticiosos que tanto nos avisam.
Está na hora de ouvirmos as notícias sobre povos que não prestaram a devida atenção ao Covid-19. Em Itália os médicos escolhem quem morre e quem sobrevive com base no número de ventiladores disponíveis, em Espanha todos os dias o número de mortes duplica. Se não queremos que isso seja o nosso futuro, não façamos como eles, por favor!
Fiquemos em casa não pelo nosso bem, mas pelo bem dos outros, não custa assim tanto seguir os concelhos da DGS:
– Evitar ao máximo o contacto com grupos de risco;
– Lavar bem as mãos;
– Evitar locais movimentados e manter a distância de segurança;
– Tossir para o cotovelo;
– Evitar ao ir ao hospital caso os sintomas sejam ligeiros, ligando para o SNS24 e seguindo as recomendações;
E não esquecer, sejamos compreensivos com SNS e com os médicos, fora o COVID-19, continuam os AVC’s, as paragens cardíacas, os cancros, e todas as outras doenças que matam todos os dias. Antes de lhes apontarmos o dedo, aplaudamos todos eles de quem só nos lembramos em momentos de aflição, mas que são os heróis dos tempos modernos!
#Euficoemcasa
Rita Gaspar